AnalogX Genesis: Capturas NAM A2 na Mixagem e Masterização

Genesis Pro da AnalogX: capturas neurais de equipamentos analógicos rodando na GPU

Quem mixa no computador conhece bem o dilema: os plugins que soam mais próximos do hardware analógico costumam ser os que mais pesam no processador. Basta abrir algumas instâncias em uma sessão grande para a CPU chegar ao limite, e aí começam os estalos, o aumento de buffer e a necessidade de congelar faixas.

O Genesis Pro, da AnalogX, propõe uma solução diferente. Ele carrega capturas neurais de equipamentos analógicos reais, como pré-amplificadores, compressores, consoles e máquinas de fita, e processa tudo na GPU, a placa de vídeo do computador. Assim, a CPU fica livre para os instrumentos virtuais, reverbs e demais plugins da sessão.

No vídeo abaixo, eu mostro o Genesis Pro em uso real na masterização, em vocais e no contrabaixo, além de uma técnica de loudness com captura de conversor. Assista e depois confira os pontos principais neste artigo.

O que são capturas neurais e por que elas soam diferente

A maioria dos plugins de emulação analógica usa modelagem de circuito: os desenvolvedores estudam o esquema do equipamento e recriam matematicamente o comportamento de cada componente. É uma abordagem que funciona muito bem, mas depende de simplificações.

A captura neural segue outro caminho. O equipamento real recebe sinais de teste, e uma rede neural aprende a reproduzir a resposta dele, incluindo as não linearidades, a saturação e as pequenas imperfeições que dão caráter ao hardware. É a mesma ideia do Neural Amp Modeler (NAM), muito popular entre guitarristas, aplicada a equipamentos de estúdio.

Nos meus testes, a diferença mais clara está na sensação de profundidade. As capturas neurais soam mais tridimensionais e naturais, e isso fica especialmente evidente nos graves, que ganham corpo e definição de um jeito muito próximo do equipamento real.

Processamento na GPU: mais instâncias, menos CPU

Redes neurais exigem muito processamento, e é por isso que plugins baseados em capturas costumam ser pesados. O Genesis Pro transfere esse trabalho para a GPU, que foi feita justamente para realizar muitos cálculos em paralelo.

Na prática, isso permite abrir várias instâncias do plugin e empilhar diversas capturas na mesma cadeia sem derrubar a sessão. Dá para montar uma cadeia completa de pré, compressor e fita em cada canal, algo que seria inviável com plugins desse tipo rodando só na CPU.

O plugin também permite alternar entre processamento na CPU e na GPU. Isso é útil, por exemplo, para gravar com a menor latência possível e depois mixar com tudo na GPU.

Workflow na prática

Um ponto que torna o Genesis Pro agradável de usar no dia a dia é a organização. As capturas ficam em pastas e perfis fáceis de navegar, o que agiliza a troca entre equipamentos e a comparação de timbres durante a mixagem.

Masterização

No master, mostro no vídeo uma cadeia com a emulação do Portico II com o recurso Silk, que adiciona brilho e densidade harmônica, e do compressor Chandler RS660. A combinação traz cola e caráter analógico ao master sem perder a naturalidade da mixagem.

Vocais

Na voz, uso capturas de pré-amplificadores e saturação. É uma forma de trazer a voz para a frente, adicionando presença e densidade harmônica antes mesmo da compressão e do EQ.

Contrabaixo

No baixo, a escolha foi o 1176 Blue Stripe, um compressor FET clássico conhecido pela resposta rápida e pela agressividade. Ele controla a dinâmica e acrescenta pegada, e é aqui que a qualidade das capturas nos graves fica mais evidente.

Técnica de loudness: clipping com captura de conversor

Uma das partes mais interessantes do vídeo é o uso de capturas de conversores, como o Apogee Symphony, para ganhar loudness na masterização.

A ideia vem de uma técnica usada em estúdios de masterização: empurrar levemente o sinal para dentro do conversor, fazendo com que ele “clipe” apenas os picos mais rápidos. Como esses picos são muito curtos, o ouvido praticamente não percebe o corte, e o resultado é mais volume percebido com menos trabalho para o limitador no fim da cadeia.

Com a captura do conversor, dá para aplicar esse clipping controlado dentro da DAW. O segredo é ir aos poucos e comparar sempre no mesmo volume, para ter certeza de que o ganho de loudness não está custando punch ou clareza.

Requisitos e versões

O processamento na GPU funciona em Macs com Apple Silicon e em computadores Windows com placas de vídeo NVIDIA ou AMD recentes. Antes de comprar, confira os requisitos atualizados na página oficial e mantenha os drivers da placa de vídeo em dia.

A AnalogX também oferece o Genesis Core, uma versão de entrada que roda só na CPU, e disponibiliza um período de teste gratuito para você experimentar antes de decidir. Mais informações no site oficial da AnalogX.

Vale a pena?

Para quem busca sonoridade analógica dentro do computador e já sofreu com CPU sobrecarregada, o Genesis Pro é uma proposta muito interessante. As capturas neurais entregam um som natural e encorpado, e o processamento na GPU resolve o maior obstáculo desse tipo de tecnologia, que é o consumo de recursos. Poder usar cadeias analógicas completas em vários canais muda a forma de mixar no computador.

E para completar sua cadeia de mixagem e masterização, conheça também os nossos plugins: baixe nossos plugins aqui.

Você já usa plugins com processamento na GPU ou capturas neurais nas suas mixagens? Conte nos comentários qual foi a sua experiência.

Comments

No comments yet. Why don’t you start the discussion?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *