Brainworx bx console SSL 9000 J

O som grande, profundo e nítido dos consoles Solid State Logic SL 9000 J está disponível na Plugin Alliance, trazido a você pela Brainworx. Com o poder do TMT, o bx_console SSL 9000 J é uma emulação oficialmente autorizada que coloca um console SSL analógico de 72 canais dentro da sua DAW.

O SL 9000 J evoluiu em relação aos seus antecessores: graves estendidos, agudos mais limpos e abertos e muito mais headroom livre de distorção. Foi isso que o tornou rapidamente o favorito dos produtores e engenheiros por trás de boa parte do pop, hip-hop, R&B e das gravações orquestrais dos anos 1990, 2000 e além.

Abaixo você encontra o guia completo em texto: por que o J Series marcou a música, o que existe dentro de cada seção do plugin, quando usar e um bloco grande de dicas e truques de mixagem para extrair o máximo dele.

Por que o SSL J Series define o som da música moderna

Se o Neve é o console do peso, o SSL é o console do controle. Desde os anos 1980, as mesas da Solid State Logic tomaram conta dos grandes estúdios por um motivo prático: o canal inteiro — filtros, EQ de quatro bandas e dinâmica — está ali, em cada faixa, pronto para ser usado sem sair do fader.

A série J, lançada nos anos 1990, é o ápice dessa linhagem com o design SuperAnalogue: resposta de frequência de banda larga, ruído baixíssimo e headroom enorme. Na prática, isso significa agudos que podem ser reforçados sem ficarem ásperos, graves que descem de verdade e uma clareza que aguenta dezenas de canais somados sem embolar. É o console de discos de Michael Brauer, de The Black Eyed Peas, Usher, Kanye West, Jay-Z, Beyoncé, Rihanna, Alicia Keys, John Mayer, Coldplay, Nas, Mary J. Blige e uma lista que não acaba.

O bx_console SSL 9000 J foi desenvolvido pela Brainworx em parceria direta com a Solid State Logic, a partir de um 9000 J real usado em incontáveis discos de ouro e platina. E, como é um plugin, a Brainworx aproveitou para adicionar o que o hardware não tinha.

TMT: um console de 72 canais, não um canal clonado

A maioria das emulações de channel strip modela um canal. Quando você aplica esse mesmo canal em 40 faixas, mesmo com ajustes diferentes, o resultado é uma mix plana, estreita e inconfundivelmente digital.

A Tolerance Modeling Technology da Brainworx resolve isso reproduzindo as variações reais de valor dos componentes dentro da faixa de tolerância especificada pelo fabricante. O resultado: 72 canais virtuais, cada um com seu desvio de fase e de resposta de frequência — exatamente como acontece numa mesa de verdade. O canal 1 corresponde aos valores medidos do canal de referência do hardware original.

Você escolhe o canal manualmente, sorteia um com Random ONE ou redistribui todas as instâncias da sessão com Random ALL. Em instâncias estéreo, o Stereo Mode decide o comportamento: em Analog, esquerda e direita usam canais diferentes (profundidade e largura analógicas); em Digital, os dois lados usam o mesmo canal, o que é essencial quando você precisa de simetria perfeita — gatear os dois lados de uma faixa estéreo em sincronia, por exemplo.

O que tem dentro do bx_console SSL 9000 J

Filtros

Passa-altas e passa-baixas independentes, com um detalhe que não existe no hardware: os botões x3 e /3. O x3 estende a faixa do passa-altas até 1,8 kHz; o /3 leva o passa-baixas até 1 kHz. Ou seja, os mesmos filtros do console passam a servir também para efeitos radicais de filtragem.

EQ de quatro bandas

  • HF e LF: ganho, frequência e chave Bell/Shelf — as duas bandas operam nos dois modos.
  • HMF e LMF: ganho, frequência e Q variável, com os multiplicadores exclusivos do plugin: HMF x3 leva o médio-agudo para 1,8 kHz–21 kHz e LMF /3 leva o médio-grave para 67 Hz–833 Hz.
  • Modo E: troca a curva inteira por uma alternativa baseada no clássico card ‘242’ da série E. Nele, as bandas médias têm largura constante (o Q aumenta conforme o ganho sobe) e as bandas HF e LF têm inclinação mais suave. É o “SSL vintage” dentro do SSL moderno.

Compressor / Limitador

Ratio variável — girando totalmente no sentido horário ele vira limitador. O botão Peak troca a característica over-easy padrão por detecção de pico com joelho duro. O Threshold já inclui make-up automático, então abaixar o threshold não derruba o volume. Há Release, chave F (ataque rápido de 3 ms contra o modo dependente de programa, de 3 a 30 ms), HPF de sidechain, LINK estéreo e — exclusivo do plugin — o knob Mix, que faz compressão paralela ali mesmo.

Expansor / Gate

Alterna entre expansor 2:1 e gate, com Range, Threshold, Hold, Release e ataque rápido (100 µs por 40 dB) ou linear controlado (1,5 ms por 40 dB). Dois extras do plugin fazem diferença: o botão -30, que muda a faixa do threshold de (-30 a +10 dB) para (-60 a -20 dB) — dá para silenciar faixas mais baixas que um mosquito —, e o modo INV, que inverte o comportamento e permite ducking sem automação.

Roteamento (o verdadeiro superpoder)

Aqui o plugin vai além do console. Os botões PRE, SPLT, SC, DYN SC e KEY deixam você reorganizar a cadeia inteira:

  • PRE: coloca a dinâmica antes do EQ.
  • SPLT: move os filtros para logo depois da entrada, em vez de depois do EQ.
  • DYN SC: tira os filtros do caminho do áudio e os joga no sidechain da dinâmica (sobrepõe o SPLT).
  • SC: manda a seção de EQ inteira para o sidechain, permitindo esculpir com precisão o que o compressor enxerga.
  • KEY: aceita um sidechain externo da DAW.

Seção master

Input Gain, Big Fader de saída, V-Gain (simula o ruído natural dos circuitos analógicos) e THD, que adiciona saturação e densidade por canal. O THD vem desligado por padrão, já que o 9000 J é famoso justamente pelo som SuperAnalogue limpo — mas valores mais altos entregam de densidade sutil a distorção escancarada.

Medição e barra superior

Medidor PPM de -24 a +24 dBu e VU de -20 a +3 VU, com calibração ajustável (por padrão, 0 dBu = -20 dBFS e 0 VU = -10 dBFS). LED de OVL monitorando entrada, sidechain e saída. Na barra de cima há Undo/Redo de 32 passos, quatro memórias A/B/C/D (automatizáveis pela DAW), Copy/Paste, monitoração M/S (Solo Mid e Solo Side) e os controles globais V Gain ALL e THD ALL, que aplicam um offset de ruído e saturação em todas as instâncias da sessão de uma só vez.

Quando — e em que — usar

O 9000 J é a escolha certa quando a mix precisa de clareza, controle e separação:

  • Vocais pop, R&B e hip-hop: é o território clássico. O HF em shelf abre a voz sem sibilância, e o compressor com Peak ligado segura dinâmica sem engolir o detalhe.
  • Bateria: o gate SSL é lendário. Caixa, tons e bumbo ficam limpos e definidos, e o compressor com ataque rápido dá o “snap”.
  • Baixo: EQ cirúrgico com Q variável resolve nota desbalanceada muito melhor do que um EQ “colorido”.
  • Grandes arranjos: com muitas faixas somando, o TMT e a clareza do J Series mantêm tudo separado onde outros consoles embolam.
  • Mix bus e grupos: compressão discreta com ratio baixo, Mix em 70–80% e THD desligado.
  • Faixa inteira da mix: use em todos os canais, randomize e deixe o console trabalhar. É literalmente para isso que ele foi feito.

Onde ele não é a melhor escolha: quando a mix pede peso e cor em vez de clareza. Para isso existem emulações Neve e API. Escolher a ferramenta certa para cada situação é metade do trabalho de mixar — e é exatamente esse critério que a gente destrincha dentro do Fórmula de Mixagem.

Dicas e truques de mixagem com o bx_console SSL 9000 J

1. Abra em tudo e aperte Random ALL

Esse é o truque do plugin. Duplique uma instância para todas as faixas (na maioria das DAWs dá para copiar um plugin para todos os canais com um atalho) e clique em Random ALL uma vez. Em um clique você passa de “40 cópias do mesmo canal” para um console inteiro com 72 personalidades. A diferença em largura e profundidade é imediata.

2. Ligue o V-Gain em todos os canais e limpe com o gate

Essa é a recomendação da própria Brainworx: use um pouco de ruído (V-Gain) em todos os canais para o comportamento analógico ficar realista, e use o Expander/Gate para silenciar os canais quando não há sinal. Soa contraintuitivo, mas faz diferença audível na “cola” da mix.

3. THD desligado é o padrão — e isso é proposital

O 9000 J era conhecido pelo som limpo. Comece com o THD off e adicione só onde a faixa pede corpo: bateria, baixo, guitarra elétrica e microfones de sala. Valores altos deixam tudo mais áspero, o que pode ser exatamente o que o estilo pede — mas é uma decisão, não um padrão.

4. V Gain ALL e THD ALL economizam horas

Em vez de abrir 40 instâncias para ajustar saturação, use os offsets globais da barra superior. Eles aplicam um deslocamento em todas as instâncias do mesmo console na sessão, respeitando os limites originais de cada parâmetro — e um canal explicitamente em “Off” continua em Off.

5. Mix do compressor: paralela sem rota auxiliar

Esmague de verdade — ratio alto, threshold baixo, release rápido — e depois volte o Mix para 30–50%. Em vocais e guitarras elétricas isso adiciona densidade e tamanho preservando todo o detalhe do original.

6. HPF de sidechain para o compressor não bombear

Em microfones de sala de bateria, baixo e mix bus, o grave domina o detector. Suba o HPF do sidechain e deixe o bumbo trovejar enquanto o compressor esmaga a caixa. É um dos truques mais usados em bateria de rock.

7. Peak vs. over-easy muda o caráter inteiro

O modo padrão (over-easy) é um joelho suave que comprime progressivamente — ótimo para colar e nivelar. Clique no Peak para joelho duro e detecção de pico: mais agressivo e preciso, melhor para segurar transientes. Teste os dois antes de mexer no ratio.

8. Fast Attack com pouca redução de ganho

Dica tirada do manual: usar o F (ataque rápido, 3 ms) com pouca redução de ganho entrega um som alternativo bem interessante — mais punchy e agressivo. Excelente em vocal principal e instrumentos percussivos.

9. Use o EQ no sidechain (botão SC)

Esse é um recurso que quase ninguém explora. Ative o SC e o EQ de quatro bandas inteiro passa a esculpir o sinal de controle do compressor, não o áudio. Quer um de-esser? Reforce 7 kHz com Q estreito no sidechain. Quer um compressor que ignore o grave? Corte o LF. É um compressor dinâmico multiuso disfarçado.

10. DYN SC transforma os filtros em sidechain

Se você só precisa limpar o detector sem mexer no EQ, o DYN SC tira o passa-altas e o passa-baixas do caminho do áudio e os coloca na entrada do sidechain. Lembre-se: ele sobrepõe o SPLT.

11. PRE e SPLT mudam o resultado, não só a ordem

Com o PRE ligado, a dinâmica vem antes do EQ: você comprime o sinal bruto e depois esculpe o resultado — ideal quando quer brilho que não seja comprimido. Com PRE desligado, o EQ alimenta o compressor, o que é melhor para controlar ressonâncias antes delas dispararem a redução de ganho. O SPLT move só os filtros para a entrada, independente disso.

12. Modo E para quando o SSL moderno soa limpo demais

Ative o E quando quiser as curvas da série E: médios de largura constante (Q aumentando com o ganho) e shelves mais suaves. Em bateria e guitarras, é a diferença entre “correto” e “com atitude”.

13. Os multiplicadores x3 e /3 são território novo

O HMF x3 leva o médio-agudo até 21 kHz: perfeito para ar cirúrgico em vocais. O LMF /3 desce até 67 Hz: dá para tratar barro e ressonância de sala com o Q variável, algo que o console original não fazia nessa faixa.

14. O botão -30 do gate é um silenciador

Com o -30 engatado, a faixa de threshold vai para -60 a -20 dB. Use em faixas com vazamento muito baixo mas audível — ar-condicionado, ruído de amplificador, respiração em pausas longas — sem precisar de automação.

15. Expansor 2:1 em vez de gate em fontes acústicas

Gate corta; expansor atenua. Em tons, caixa e vocais gravados em ambiente vivo, o modo EXP reduz vazamento de forma natural. Ajuste o Hold para o gate não fechar no meio do decaimento de um prato ou de uma nota.

16. INV para ducking de pad e guitarra

Com INV ligado e o KEY recebendo o vocal, o canal é atenuado sempre que a voz entra. Use o Range em 4 a 8 dB — ducking sutil que abre espaço sem ninguém perceber.

17. Solo M e Solo S para caçar problemas

A monitoração M/S da barra superior permite ouvir só o mid ou só o side do que o plugin está processando. É a forma mais rápida de achar distorção escondida, problemas de fase e elementos que estão só de um lado da imagem.

18. A/B/C/D automatizáveis para seções diferentes

As quatro memórias são salvas com o preset e podem ser automatizadas na DAW. Use D para o vocal do refrão com mais compressão, A para o verso, e automatize a troca — sem precisar automatizar cada parâmetro.

19. Copy/Paste para variações rápidas

Gostou do ajuste A e quer a mesma coisa com menos compressão? Copy em A, vá para B, Paste, reduza a compressão. Agora você compara as duas versões com um clique.

20. O truque do Dirk: múltiplos “sabores” da mesma mix

Depois de finalizar e salvar a mixagem, volte e clique em Random ALL algumas vezes. O timbre geral muda ligeiramente a cada combinação — um pouco mais escuro, mais brilhante, mais encorpado. Bounce duas ou três versões e deixe o cliente escolher entre “sabores” de uma mix tecnicamente idêntica.

21. Calibre os medidores para o seu jeito de trabalhar

Por padrão, o PPM marca 0 dBu = -20 dBFS e o VU marca 0 VU = -10 dBFS. Os valores são editáveis na tela de informações (clique no logo da Brainworx) e ficam salvos para todas as instâncias e sessões. Vale ajustar para o padrão com que você já está acostumado.

Receitas para começar hoje

  • Vocal pop: HPF em 80 Hz, HF em shelf +3 dB, HMF com x3 e +2 dB em 12 kHz, LMF -2 dB onde houver barro. Compressor com Peak ligado, F ligado, 3–4 dB de redução, Mix em 80%.
  • Caixa: gate em modo gate com Hold curto, EQ +4 dB em 4 kHz, compressor com ataque rápido e sidechain HPF ativo.
  • Bumbo: LF em shelf +3 dB, corte de LMF em 300 Hz com Q médio, THD discreto, gate com Range de 20 dB.
  • Microfones de sala: compressor em limitador, threshold baixo, sidechain HPF alto, modo E ligado e THD generoso.
  • Baixo: HPF em 35 Hz, LMF /3 para tratar notas desbalanceadas, compressor over-easy com 4–5 dB de redução.
  • Guitarra elétrica: modo E, HPF em 120 Hz, HMF +3 dB em 2,5 kHz, Mix do compressor em 50%.
  • Mix bus: ratio baixo, over-easy, 1–2 dB de redução, LINK ligado, Stereo Mode em Analog, THD desligado.

Vale a pena?

Se a sua mix soa correta mas chapada, estreita e “empilhada”, o bx_console SSL 9000 J ataca exatamente esse problema. Não por ser mais um channel strip bonito, e sim porque ele é um console inteiro de 72 canais diferentes, com roteamento que o hardware original não tinha e recursos modernos (Mix, THD, V-Gain, multiplicadores de frequência, memórias automatizáveis) que o tornam mais flexível do que a mesa que ele emula.

Mas o lembrete de sempre vale aqui também: plugin nenhum substitui critério. O que separa uma mix amadora de uma profissional raramente é a emulação escolhida, e quase sempre é saber o que ouvir, o que decidir e em que ordem.

DOWNLOAD: plugin-alliance.com/en/products/bx_console_ssl_9000_j.html

Comments

No comments yet. Why don’t you start the discussion?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *